sábado, 9 de fevereiro de 2019

Uma semente não germinará se, antes, não morrer!

O entendimento de que quando buscamos a Deus em qualquer coisa que muito queremos, quando não vem, ou quando demora, é porque será maior e melhor do que pedimos, está, biblicamente, equivocado, e, aqui, apresentarei o que entendo serem as razões para isso. 

35Mas alguém perguntará: “Como é que os mortos são ressuscitados? Que tipo de corpo eles vão ter?” 36Seu tolo! Quando você semeia uma semente na terra, ela só brota se morrer. 37E o que foi semeado é apenas uma semente, talvez um grão de trigo ou outra semente qualquer e não o corpo já formado da planta que vai crescer. (1 Co. 15 : 35-37)

Quando pedimos qualquer coisa a Deus, ocorre a mesma dinâmica da semeadura, cuja semente precisa morrer para que haja o seu 'a fim-de-quê'!

A semente não é a planta como será em seu estado final, mas, um pequeno grão, que, a princípio, nada tem a ver com àquilo que haverá de se tornar! Nesse processo, a semente, tendo rebentado a casca, se dá então início à formação da planta. Mas, antes dela, que é completa e absolutamente diferente de sua forma inicial (como uma semente de mostarda ou de uma secoia), ela romperá com a casca que MORRE e, para o bem da germinação, a casca que fora enterrada tem de apodrecer. Assim são as petições do penitente. Os sonhos, planos de como seriam executados e, principalmente O TEMPO em que se deseja que as coisas aconteçam, tudo fará parte da composição das "vitaminas e sais minerais" que alimentaram o entendimento do crente do que sejam as promessas de Deus, no longo processo de "germinação" que é o que se entende como o cumprimento das promessas feitas. Mas, aqui está o entendimento disso. Tudo na verdade, é usado por Deus para quebrar o coração do homem que o busca, sejam por motivos de pecados cometidos, sejam por motivos de humilhar o homem fiel, as razões exatas podem variar e muitas vezes não chegar ao conhecimento do que sofre. 

Como precisamos enterrar a semente para sua germinação, é indispensável que os sonhos sejam provados e enterrados em meio as circunstâncias de aparente contradição, demora.
Pois, o produto final, a realização da promessa, sempre será algo completamente diferente do que se pediu a princípio. Exemplos que, aparentemente, demonstram a validade desse raciocínio:

O caso mais famoso na Bíblia, o de Lázaro. Quando ele pediu que o Senhor o fosse visitar porque ele estava deveras doente, era a CURA DE SUAS ENFERMIDADES que ele buscava, que ele anelava, que ele, ardentemente, ansiava. Mas, Jesus, sabendo disso, ficou ainda dois dias no lugar em que ele estava.

Depois desse tempo, ele o fora visitar, mas, sabendo de tudo o que iria acontecer, ele houvera alertado aos seus discípulos que iria "despertar Lázaro do sono da morte", como está escrito:

1Estava, então, enfermo um certo Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta. 2E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com ungüento e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão, Lázaro, estava enfermo. 3Mandaram-lhe, pois, suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas. 4E Jesus, ouvindo isso, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela. 5Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. 6Ouvindo, pois, que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde estava. 7Depois disso, disse aos seus discípulos: Vamos outra vez para a Judéia. 8Disseram-lhe os discípulos: Rabi, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e tornas para lá? 9Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz. 11Assim falou e, depois, disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono. 12Disseram, pois, os seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. 13Mas Jesus dizia isso da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono. 14Então, Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto, [...] (Lucas 11 - 1 - 14)

Como se lê aqui, Jesus não fora curá-lo logo que ouviu que seu amigo estava muito doente, pois, em seu coração, havia um outro mandamento que o incomodava de dia e de noite: devo glorificar o nome de meu Pai que está nos Céus! E o Pai não o quisera curá-lo, não! Ele quis outra coisa, totalmente outra, diferente do que Lázaro queria: RESSUSCITÁ-LO! 

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Logo, as promessas, como as plantamos em nossos corações, sempre se tornarão noutra coisa, que com o tempo, Deus nos "atualizará" para que não nos perturbemos quando vemos cumprida em nossas vidas! Deus nos fará entender que o que queríamos exatamente em sua forma original não o glorificaria e não faria o volume de bem que a Sua vontade, apenas, poderá proporcionar ao universo. 

As cascas de nossas convicções, nossa compreensão de quando e como vão acontecer as promessas feitas, o grão de nossas concepções de como o Todo-poderoso vai agir TÊM de apodrecer, têm de morrer! Se for suprimida essa importante etapa de concretização da promessa, indispensável para sua "eclosão", a promessa jamais se realizará. "24Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto." (João - 12 : 24)


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CONCLUSÃO

A importância das expectativas, espera e confiança de colheita certa são fatores também indispensáveis no cumprimento da vontade de Deus para aquele que Ele deseja abençoar. Não podem ser lançados fora!

Quando temos a sensação de que perdemos as esperanças e desanimamos, de fato, se estivermos dentro do que Ele estabeleceu por seu próprio querer e beneplácito, isso de fato, não é consumado.
Pois são utilizados por Deus para o acrisolamento de nosso caráter, preparando-nos para a recepção madura e resignada da plena vontade de Deus em nosso viver, sombra do que será no futuro. Daí concluímos que tudo porque passamos fora necessário parta a germinação dos sonhos.

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Como temos que enterrar a semente, enterramos no solo fértil de um coração humilhado e penitente, os sonhos.
Como foi plantada uma pequena semente, que aos nossos olhos chegam a ser até impossíveis para Deus, no final experimentamos que o que fora pedido nada terá a ver com o que imaginávamos, mas será além - e não apenas para nós mesmos, mas para o bem do próprio universo e para a máxima glória de Deus!

O produto final do que imaginávamos sempre será, se essa for a vontade de Deus - acompanhado de abundantes coisas, mesmo que apenas no porvir, que serão maravilhosas demais para nossa parca compreensão e que darão muitos frutos. Sem nunca esquecer que sempre será tudo muito diferente do que imaginávamos no início da caminhada na busca do cumprimento das promessas de Deus.

Assim, prossigamos em confiar no Senhor e, enquanto sofremos a Palavra de Deus, deixemo-nos trabalhar pelo Santo Espírito de Deus!

Salmos 126 : 5

 "Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria."

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quinta-feira, 5 de julho de 2018


O TRATAMENTO EPISTEMOLÓGICO DE GILLES DELEUZE ÀS CIÊNCIAS



Este artigo consiste em apresentar a vida, obra e sua contribuição para a epistemologia do filósofo francês Gilles Deleuze, onde ele disserta sobre a sua crítica quanto ao processo do conhecimento por meio de representação mental e a ciência derivada desta forma de raciocinar. Apresenta, outrossim, suas relações com outros filósofos que se destacaram nesta mesma época, bem como um posicionamento crítico a respeito de sua perspectiva da formação das ciências.

BIOGRAFIA DE GILLES DELEUZE

Nascido na cidade francesa de Paris, em 18 de janeiro de 1925, Gilles Deleuze, dos dezenove anos aos 23, cursou Filosofia na universidade de Paris, em Sorbonne; tendo como professores Ferdinand Alquié, Georges Canguilhem, Maurice de Gandillac e Jean Hippolite.
Concluído o curso em 1948, ele dedica-se à história da Filosofia, tornando-se professor da matéria na Sorbonne de 1957 a 1960. Em 1962 conhece Michel Foucault, de quem se torna amigo até sua morte em 1984. Apesar da amizade, não trabalharam juntos, mas foram apontados como sendo os responsáveis pelo renascimento do interesse pela obra de Nietzsche.
Em 1964 e 1969, foi professor de história da filosofia na ainda unificada universidade de Lyon. Em 1968, Deleuze apresenta como tese de doutoramento Diferença e repetição (Différence et répétition), orientado por Gandillac, na qual critica o conhecimento via representação mental e a ciência derivada desta forma clássica lógica e representativa; e como tese secundária, Spinoza e o problema da expressão (Spinoza et le problème de l’expression), orientado por Alquié. No mesmo ano, ele conhece Félix Guattarri, e este encontro resulta numa longa e rica colaboração. Na universidade de Vincennes, onde ensinou até 1987, Gilles Deleuze promoveu um número significativo de cursos.
Desde 1992, seus pulmões, afetados por um câncer, funcionavam com um terço da capacidade. Em 1995, só respirava com a ajuda de aparelhos. Sem poder realizar seu trabalho, Deleuze atirou-se pela janela de seu apartamento em Paris, em 04 de novembro de 1995. Seus seguidores consideraram seu suicídio coerente com a sua vida e obra: “para ele, o trabalho do homem era pensar e produzir novas formas de vida”

O CONTEXTO DAS OBRAS DE DELEUZE

A seguir, uma visão resumida de como Deleuze contextualizou as suas obras, que influências sofreu na formação de sua filosofia e como se dava o seu pensamento.
O trabalho de Deleuze se divide em dois grupos: por um lado, monografias interpretando filósofos modernos (Spinoza, Leibniz, Hume, Kant, Nietzsche, Bérgson, Foucault) e por outro interpretando obras de artistas como Proust, Kafka, Francis bacon – este último o pintor moderno, não o filósofo renascentista – e ainda por uma outra faceta de sua filosofia, temas filosóficos ecléticos centrados na produção de conceitos como diferença, sentido, evento, rizoma, etc.
Para Deleuze, o ofício do filósofo é inventar conceitos. Assim como Nietzsche cria a personagem-conceito de Zaratustra, Deleuze afirma em L'abécédaire, entrevista dada a Claire Parnet, ter criado com Félix Guattarri o conceito de ritornelo – refrão, forma de reterritorialização (povoamento), e desterritorialização. Uma filosofia da imanência, dos diagramas, dos acontecimentos. As principais influências sofridas por Deleuze serão de Nietzsche, Henry Bérgson e Spinoza.  


EPISTEMOLOGIA

A respeito das incursões ao pensamento epistemológico feitas por Deleuze, poderíamos observar dois aspectos. Por um lado, apesar de criticar os procedimentos científicos quando eles exprimem uma cosmologia ou um entendimento do humano incompatível com sua filosofia, Deleuze jamais negou a cientificidade como um mal do pensamento moderno. Por outro lado, o não contentamento com o caráter da ciência, fê-lo propor uma alteração da metodologia científica. Assim em seus vários livros que abordam o assunto podemos encontrar, por exemplo, a “interpretação” de forças (livros dedicados a Nietzsche), a “experimentação” de estados não-extensivos (livro dedicado a Hume e Mille Plateaux), e o “cálculo de problemas” (Diferença e Repetição e Lógica do sentido). Todos esses aspectos são tratados não somente de maneira rigorosamente filosófica, como contam com exemplos que exploram as mais variadas disciplinas a partir de seus problemas internos. Em que pese essa abrangência de sua reflexão epistemológica, podemos afirmar que Deleuze somente chegou a fornecer dela uma síntese em Mille Plateaux, quando aponta dois tipos de cientificidade: a ciência maior e a ciência menor. (CARDOSO, pg. 09)
Nestas diferentes abordagens, pretendeu-se fixar atenção nos seguintes volumes: mil platôs, diferença e repetição, lógica dos sentidos e o artigo de Hélio Rebelo Cardoso Jr. por deterem-se mais acuradamente na perspectiva deleuziana de uma epistemologia voltada para o acontecimento.

Deleuze parte do que ele vai chamar de ilusão das soluções na doutrina da verdade para desconstruir toda uma tradição aristotélica na afirmação do que se entende por verdade. Segundo ele, a ilusão natural, que consiste em decalcar os problemas sobre as proposições, nasce do fato de que uma determinada verdade de um problema reside tão somente na possibilidade de se encontrar uma solução para ele. (DELEUZE. Pg. 156)
Deleuze explica que Aristóteles via na dialética a preceptora dos problemas e das questões, ou seja, a dialética para Aristóteles é a inventora dos “problemas” a serem por ela resolvidos. Deleuze vai desde Aristóteles explicar a origem da avaliação de um problema, que para Aristóteles se baseava na opinião da maioria dos homens, para depois ouvir a opinião dos sábios para daí se estabelecer um lugar comum para a solução de um dado problema, ou seja, ele via a solução do problema a partir da doxa, do senso comum, pois um dado problema será considerado falso se houver um determinado vício lógico de ordem de acidente, ou gênero, ou próprio ou à definição. Para Deleuze, Aristóteles vai reproduzir os problemas sobre o senso comum por causa de uma ilusão natural, e por sua vez, preso consequentemente à ilusão filosófica Aristóteles vai reduzir a verdade a lugares-comuns, ou seja, Deleuze vê a verdade como subproduto de uma determinada ocasião, de uma determinada geografia. (DELEUZE. Pg. 156)
Seguindo numa análise da história da Filosofia, Deleuze vai afirmar que os matemáticos no modernismo, tentam se opor à dialética, porém preservam o ponto em comum entre matemáticos e dialéticos: o ideal de uma combinatória ou o cálculo de problemas. Depois de Deleuze discorrer sobre Descartes, Kant, com sua analítica transcendental, possuindo o mesmo objetivo de definir a verdade de um problema pela possibilidade de ele receber uma solução, ele sintetiza dizendo:

Reencontramos sempre os dois aspectos da ilusão: a ilusão natural, que consiste em decalcar os problemas sobre proposições que se supõe preexistentes, opiniões lógicas, teoremas geométricos, equações algébricas, hipóteses físicas, juízos transcendentais; e a ilusão filosófica, que consiste em avaliar os problemas segundo sua "resolubilidade", isto é, de acordo com a forma extrínseca variável da possibilidade de sua solução. (DELEUZE. Pg. 157)

Dessa forma, Deleuze critica a tradição de como os problemas são constituídos sempre nas duas ilusões por ele apontadas, e que as ciências seguem nessa mesma perspectiva de reproduzir os problemas sempre numa cíclica interdependência entre a ilusão de que os preexistentes problemas são decifrados em um ambiente doméstico do próprio problema, seu lugar-comum, seguindo-se à ilusão filosófica de que só se pode pensar na solução de um dado problema somente pelo fato de que existe uma resolubilidade.



CIÊNCIA MAIOR E CIÊNCIA MENOR



 Depois de observarmos em linhas gerais o pensamento de Deleuze sobre o problema das duas ilusões inerente às ciências, ou como ele mesmo afirma, ao mal da cientificidade, observaremos em que perspectiva Deleuze vê a ciência, como ela deve ser engendrada no que ele chama de ciência maior e ciência menor, como estas duas perspectivas epistemológicas, ou melhor, dizendo, como esta epistemologia singular pode unir os dois tipos de ciências.
Para tanto, o artigo de Hélio Rebelo Cardoso Jr. será usado para demonstrarmos essa visão do filósofo como sendo sua contribuição para o pensamento epistemológico contemporâneo.
Deleuze observa as duas ciências da seguinte forma: a ciência maior se vale de uma “teoria dos sólidos”, que pressupõe uma estabilidade temporal associada à espacialidade dos corpos, sendo a instabilidade uma anomalia efêmera, que não pode ser computada por causa de sua característica de eventualidade, que logo é superada. Já a ciência menor, que se vale da “teoria dos fluídos” se mede pela perspectiva do devir e da heterogeneidade, tendo por base a observação dos estados intensivos e incorporais da matéria.
Ao pensar a metodologia da ciência menor, Deleuze encontra o que ele vai chamar de “variação contínua”, onde a ciência maior pressupõe um espaço fechado, sendo que na ciência menor a temporalidade do acontecimento, pela variação contínua.

Por fim, sendo o modelo temporal discriminado do modelo espacial, altera-se a própria noção de espaço: a ciência maior propõe um espaço fechado onde as coisas lineares e sólidas são distribuídas por uma lei exterior ou transcendente ao sistema; já na ciência menor, o espaço é aberto, ele se confunde com a distribuição dos fluxos que o percorrem. (DELEUZE – apud Cardoso. Pg. 9)

         Para Deleuze, o que deve ser digno de observação e análise será a ciência menor, por pressupor o evento do acontecimento. 


De fato, o que importa para o conhecimento, segundo o acontecimento, não é somente a realidade espaço-temporal (atualidade da matéria), mas igualmente a sua virtualidade, isto é, um estado intensivo. O acontecimento exprime as transmutações que fazem do corpo uma matéria fluida. (CARDOSO. Pg. 10)


Portanto, Deleuze acredita haver uma perfeita simbiose das duas perspectivas e que essas não se excluem, desde que se possa pensar em uma teoria das multiplicidades que seja capaz de poder comunicar as “intuições” da ciência menor com o esquema teoremático da ciência maior. (CARDSO. Pg. 10).
O evento do acontecimento está presente em uma perspectiva que preencha as lacunas de uma ciência que só pode observar os dados discretos da matéria, apenas medindo sua natureza espacial. Logo,

se a multiplicidade métrica observa as formas discretas dos corpos (extensões) e tende a classificá-las segundo suas semelhanças (de gênero, de espécie, de estado, de natureza, de sistema), a multiplicidade não-métrica procura surpreender na matéria os intervalos que tendem a desfazer as formas e que, por isso, reúnem as diferenças dos corpos em um elemento comum: o acontecimento. (CARDOSO. Pg. 10)



ANÁLISE CRÍTICA

A princípio, se se pensa em uma filosofia que pode meditar no ‘assombro’ que Aristóteles viu pra poder explicar, ou pelo menos tentá-lo fazer, todas as brechas fenomenais que ‘saltam’ aos nossos olhos, devemos lançar mão de todos os ‘porquês’ que estão a nossa disposição. Deleuze fez isso, quando se contrapõe a toda uma tradição, resolutamente focado em problemas que para os outros não precisavam ser problematizados.
Quando da ótica de Deleuze observamos as intensividades como sendo aquela forma de conhecimento que harmoniza tanto a realidade espaço-temporal como a sua virtualidade, podemos entender que o acontecimento encerra perfeitamente essas duas realidades.
Sendo, para Deleuze, o acontecimento uma ótica que pressupõe a fluidez da própria realidade, por se tratar, digamos, de uma síntese entre uma tese de uma teoria dos sólidos e uma antítese da teoria dos fluidos, a multiplicidade irá harmonizar as duas perspectivas.
Que se observe que de fato não podemos pressupor apenas uma metodologia para se explicar as realidades que nos rodeiam, para que não ocorram discrepâncias. O acontecimento, no entanto, pressupõe uma forma de estruturação em que Deleuze fundamenta seus escritos. Por estruturação quero dizer aquela forma de pensar em que nada de fato pressupõe uma continuidade, como a história. Onde tudo passa a ser uma complexa, mas perfeitamente demonstrável estrutura, nada de fato nem pode ser construído e nem pode ser de fato definido como sendo um método pronto, fechado, do ponto de vista egótico e histórico.
A proposta estruturalista é de fato, para que haja realmente uma cientificidade, necessário seja que haja a preclusão da própria humanidade desta ciência, ou seja, a proposta de dissolver o homem.   
Deleuze, como foi demonstrado no princípio deste trabalho, suicidou-se, não precisamente como sendo uma forma de desespero, mas em consonância com sua própria perspectiva estruturalista de encarar a vida.     



REFERÊNCIAS  

DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição (versão digital – Word)
Lógica dos sentidos (versão digital – pdf)
Mil platôs (versão digital – pdf)
CARDOSO JR., Hélio Rebelo. Acontecimento e história: pensamento de Deleuze e problemas epistemológicos das ciências humanas. Artigo recebido em 06/2005; aprovado para publicação em 08/2005.











segunda-feira, 25 de junho de 2018

A DEMONSTRAÇÃO DA VERDADE



Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. (Mt. 7 : 16-20)
A verdade pede, persegue e alcança sempre meios com vistas a ser demonstrada. Somos nós homens e todas as circunstâncias, forjadas de tal maneira, que sempre haverão meios de se conhecer o que de fato ocorre e como lidar com os fatos. A verdade de absolutamente tudo estará, sempre ao seu tempo, à disposição de quem de fato se ocupa em interpretar as circunstâncias à Luz das sagradas escrituras. Simbolicamente, a verdade de modo gentil, pede que possamos dar acesso à ela para que venhamos nos adequar no plano de Deus para todas as coisas. Mas, se ignorada, a verdade passará a perseguir oportunidades para ser demonstrada tal qual ela mesmo é, sem maquiagens e sem intervenções, ela mesma, pura e constrangedoramente simples. E finalmente, alcança e se dá a conhecer, apesar de todos os esforços de quem não se dá com ela, ela sempre estará ali. Sempre que houver uma campanha difamatória ou uma campanha promocional sobre quem quer que seja, a verdade sobre tudo isso sempre e majestosamente prevalecerá, demore o tempo que tiver de amadurecer, ela se mostrará por si mesma!
Querer dizer possuir virtudes que não correspondem à realidade é vicio comum entre os de personalidades inconstantes ou simplesmente infantis, o que virá a dar no mesmo, já que uma pessoa inconstante remete ao seu tempo de criança em que é muito comum o tédio sobre uma dada atividade que já não possui o mesmo sabor como no início, e a partir daí essa pessoa se recusa a crescer, mas, de que maneira ocorre essa recusa, caro leitor? Deixando de contornar situações-problema e, se colocando na posição de adulto, passar a enfrentar os fatos tais quais eles assim o exigem. É muito comum pessoas recorrerem aos outros que por elas são considerados experientes e, assim, capazes de tirá-las daquela situação. E deste modo, fixa-se na mente de tal indivíduo um ciclo vicioso: ele comete desatinos e os outros resolvem por ele, e dessa forma nunca aprende a ser homem ou a ser mulher. Outra característica é a de “abraçar” virtudes que não lhe competem. Ou seja, é muito comum pessoas adorarem os elogios: Ah! Você é muito bacana, humilde, liberal e paciente. E a pessoa, que é o oposto disso tudo, contudo, não repreende ao admirador dizendo a verdade: _ Não! Isso tudo que você disse aí está errado! Você está enganado ao meu respeito. Mas, outrossim, quando estas mesmas pessoas são acusadas injustamente em seu meio social, a reação é imediatamente oposta àquela da primeira situação! E, com muita força, tratam logo de “resolver esse problema e lavar a honra.” Em síntese, costumam ser muito misericordiosos consigo mesmos e altamente severos com o erro dos outros. 
A fantasia corre com certo progresso até ao ponto em que é posta à prova com problemas reais, e os progressos adquiridos revelam-se irreais. É assim que costumeiramente tenho visto os homens serem separados dos meninos e as mulheres serem separadas das meninas. A palavra costuma chamar esse tipo de indivíduo de ‘filho de belial’, conforme está escrito: “1 Samuel 2:12 – Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não se importavam com o SENHOR;”. Sabe quando a verdade pega e pega com força essas pessoas para que aos olhos de todos seja manifestada a verdade sobre o verdadeiro caráter deles? Quando os problemas vêm peneirá-los! Sim, caro amigo, quando um problema real, e não de ficção, vem de encontro aos filhos de belial, eles são desmascarados e podemos vê-los exatamente como eles se comportam de verdade! É quando vemos alguém que adora criticar, arrogando pra si mesmo títulos de santidade e humildade, aos outros, sendo envergonhado pelo nosso Justo Juiz, o Senhor Jesus, colocando-o diante de outra pessoa problemática ou de uma situação muito difícil, a falsa armadura cai e vemos só um pobre filho de belial tentando se esconder sob uma capa rasgada e, muitas vezes, murmurando ou até blasfemando mesmo de Deus diante daqueles que por estas pessoas foram muito ridicularizadas e criticadas!
A conclusão disto não é desencorajar aquele que sabe que manqueja a desistir, já que sua fantasia foi desmascarada, mas, levá-lo ao verdadeiro arrependimento para viver conforme o que está escrito: “Levítico 20:7 – Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus.”
Assim, mais uma vez somos compelidos pela Verdade que liberta a sermos autênticos filhos de Deus! Pois, a mais ninguém o nosso Deus escolherá para demonstrar que Ele vive, a não ser, nós mesmos! Portanto, caro amigo, apartemo-nos de todo mal, e que, a partir de um coração verdadeiramente transformado pelo Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, possamos dizer que Cristo vive em nós, não de meras e vazias palavras, mas de fato observável e testemunhado por todos, tanto os amigos, quanto e principalmente os nossos inimigos; pois a eles Deus dará uma chance de mudarem a partir de nosso testemunho, quem sabe! Amém